Santa Casa de Ourinhos em dificuldades financeiras expõe o que acontece à sociedade


Assista a reportagem pela TV Massiva a partir desta quarta, 06

Às 08h30 da manhã desta terça-feira, 05, a Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos, por seu presidente Celso Zanuto e o presidente do Conselho de Administração da Confederação das Santas Casas de Misericórdias, Hospitais e Entidades Filantrópicas do Brasil - CMB, Edson Rogatti, expuseram em entrevista coletiva a imprensa a situação financeira que a entidade enfrenta atualmente, com riscos inclusive de fechamento de setores importantes que vinham sendo mantidos por conta própria e dispensa de pessoal, funcionários que fazem girar parte das engrenagens da Santa Casa e até mesmo o Pronto Socorro.

A situação somente não é mais caótica porque ainda existem homens bons, competentes e solidários, que se prontificaram a enfrentar as dificuldades há 09 anos assumida, para reerguimento, manutenção, ampliação e modernização da entidade filantrópica que serve Ourinhos e toda região, porém, ainda que com todo crescimento e modernização conquistados, a Santa Casa de Ourinhos sucumbe a um dos mais terríveis problemas, e embora não seja a única nessa situação no Brasil, ou seja, em estado de calamidade pública, nossa entidade sangra com a falta de "recebimento em dia certo" dos governos Federal, Estadual e Municipale e também por "desatualização de tabela" do SUS que há 14 anos persiste nos mesmos honorários e pode a entidade, senão cerrar portas definitivamente, diminuir drasticamente os atendimentos, como já está fazendo com as especialidades Vascular, Urologia, Pediatria e Bucomaxilo.

Agoniza, não silente, mas em busca de soluções práticas e justas junto aos governos Federal, Estadual e Municipal, com o SUS em especial, pois a entidade não sobrevive apenas com doações particulares, programas de arrecadação social e serviços particulares, havendo todo um processo de administração para que as verbas recebidas sejam canalizadas e utilizadas racionalmente e por prioridades, diga-se de ordem profissional, analisadas criteriosamente no sentido de melhor utilização custo/benefício. Ainda assim a máquina pública não corresponde, deixando a desejar e possivelmente despreocupada aponta respostas políticas que não trazem nenhum benefício, soma ou alívio ao financeiro da entidade, o que é triste e preocupante.

O Pronto Socorro, já funcionando em menor escala a partir do evento SAMU/UPA, que absorveu grande parte dos serviços prestados e também financeiro municipal, conta com um déficit mensal de aproximadamente 140 mil reais mensais diante de um despesa de 360 mil enquanto há repasse de apenas 212 mil da Prefeitura Municipal, e isso mensalmente gera um acúmulo irreversível e perigoso para a saúde financeira da Santa Casa ao somarmos as despesas com o Hospital de Saúde Mental que possui apenas 05 pacientes hoje, de aproximadamente 100 mil reais mensais. Esses dados foram mostrados em gráfico pelo presidente Celso Zanuto, ou seja, fazem parte da contabilidade.

Alerta Zanuto que essa situação não é pontual, apenas da Santa Casa de Ourinhos, mas de todas as Santas Casas do país, o que é ainda mais preocupante porque não há a quem recorrer posteriormente com a falta de especialidades aqui, em nossa região onde nem mesmo o Hospital Regional de Assis possui a estrutura e condições de atendimento que Ourinhos possui, ao contrário, o próprio Hospital Regional se recorre a Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos e, na falta dela, só por Deus.

Considerada uma das 10 melhores Santas Casas do Estado, a Santa Casa de Ourinhos possui médicos e servidores competentes, de qualidade aliados a uma estrutura física e de equipamentos formidável, considerada "Estruturante", ligada ao regime geral de leitos e gerando um fluxo de caixa com despesas que ultrapassam os 4,8 milhões de reais enquanto arrecada apenas 3,56 milhões, agora com os recebimentos em atraso, tendo como resultado trista o déficit final e quase impagável de 470 mil reais mensais que, perguntado a Zanuto como seria coberto esse valor, disse que cortaria na carne, ou seja, 100 mil do Hospital de Saúde Mental, 140 mil do déficit do Pronto Socorro e o restante, como já previsto, demissão de 100 servidores e corte nas especialidades, pois não há outra solução.

O governo do Estado atrasou a verba destinada pela Santa Casa a cobertura da folha de pagamento, só fazendo o repasse no dia 17 de dezembro passado e não há previsão do próximo, o governo federal não reajusta a tabela do SUS, não faz e não fará outros investimentos na Saúde e o governo municipal, cuja verba do Pronto Socorro, responsabilidade do município e que é sabido não ser suficiente, ainda analisa de onde sairá a verba para pagamento da diferença de 140 mil reais.

Zanuto enfatizou os empréstimos pessoais para pagamento da folha, deixando de lado por ora os custos com lavanderia e outros pormenores necessários ao andamento do hospital, porém, a responsabilidade pela manutenção da Saúde Pública é do Estado, dos governos Federal, Estadual e Municipal e o acúmulo desses montantes fatalmente acarretaria a falência da entidade que não suportaria tantos encargos sem o recebimento dessas verbas prometidas e assinadas pelos governos além dos periódicos e indiscutíveis reajustes da tabela do SUS, que praticamente utiliza todo o aparato da Santa Casa de Misericórdia.

O momento na Santa Casa de Ourinhos é delicadíssimo, e dependendo das decisões governamentais podem piorar ainda mais, além daquilo que a sociedade prevê e necessita, urgindo soluções rápidas e satisfatórias dos responsáveis para que nossa referência em Saúde não seja prejudicada ainda mais e permaneça em funcionamento, pois a Saúde Pública não pode esperar, pode perecer por falta de ajuda financeira ou até mesmo por falta de cumprimento de contratos que a mantém de pé.

A TV MASSIVA acompanhou e documentou a entrevista que será levada ao ar a partir desta quarta-feira, 06/01/2015.

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