Céu de Espelhos une Beatles e Lewis Carroll


Os bailarinos Samuel Kavalerski e Simone Camargo apresentam em Ourinhos espetáculo contemplado pelo edital O Boticário na Dança. Com entrada gratuita, o trabalho será apresentado no Teatro Municipal Miguel Cury, nos dias 30 e 31 de março, sexta e sábado, às 20h. O projeto também prevê uma oficina de dança contemporânea para bailarinos locais 


Depois de atuarem em importantes companhias nacionais, como São Paulo Companhia de Dança, Balé da Cidade de São Paulo, Balé do Teatro Guaíra e Quasar Cia de Dança, os bailarinos Samuel Kavalerski e Simone Carmargo encontram-se nesse projeto, dirigido por Samuel Kavalerski, contemplado pelo edital O Boticário na Dança, que traz como referências a psicodélica canção Lucy in the Sky with Diamonds, dos Beatles, e os livros Alice no País das Maravilhas (1865) e Através do Espelho (1871), de Lewis Carroll.

As apresentações acontecem dias 30 e 31 de março (sexta e sábado), às 20h, no Teatro Municipal MIguel Cury. No dia 31, Samuel Kavalerski também dará a oficina de dança contemporânea "Exploração do movimento",  para os bailarinos da cidade. Todas as atividades são gratuitas.

Céu de Espelhos, criação e influências

Com criação de Irupé Sarmiento e Samuel Kavalerski, Céu de Espelhos*, inspirada pelos Beatles e por Lewis Carroll, une personagens oníricos do livro às imagens nonsense da música. Assim, o jogo de reflexos entre Alice e Lucy é o detonador que promove uma série de cruzamentos entre os universos desses dois artistas britânicos. Um jogo que, como um caleidoscópio, recorta fragmentos desse imaginário e os combina, gerando estímulos para a composição de movimentos, imagens, jogos, improvisos e  sonoridades.

A coreografia absorve também a influência do movimento surrealista que, a partir da década de 1920, propõe uma outra forma de perceber a realidade. É uma criação que se comunica com um outro olhar, capaz de atravessar espelhos e ultrapassar os limites mecânicos e utilitaristas da vida contemporânea.

"A psicodelia e a surrealidade, presentes de diferentes formas na música de John Lennon e na literatura de Carroll, aparecem nesse projeto como uma ponte para acessar temas pertinentes aos dias atuais. Esse universo, que valoriza a liberdade, a imaginação e o campo onírico do inconsciente, se apresenta como um caminho oportuno na conjuntura de incertezas atuais", diz o diretor do projeto e bailarino Samuel Kavalerski.

A coreografia conta ainda com figurinos de Antonio Bizarro, produção musical de Fernando Martins e a participação especial do músico Thiago Pethit na trilha.

*Céu de Espelhos também foi vencedor do edital para criação do 20° Cultura Inglesa Festival, em 2016.

SERVIÇO: Céu de Espelhos, direção de Samuel Kavalerski. Interpretação, Simone Camargo e Samuel Kavalerski. Teatro Municipal Miguel Cury – Rua R. Nove de Julho, 496 - Centro, dias 30 e 31 de março (sexta e sábado) | 20h | 70 min. | Livre | Gratuito.

Oficina de Dança Contemporânea 'Exploração do Movimento' - Dia 31, sábado, das 10h às 12h, na Escola Municipal de Bailados. Número de vagas: 20, para profissionais e estudantes de dança, acima de 14 anos. Inscrições: de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 18h, na R. Treze de Maio, 300 - Vila Perino. Mais informações pelo telefone (14) 3302-1800.

Nesta oficina, os participantes serão convidados a experimentarem a criação dos personagens Lucy e Coelho, presentes na obra Céu de Espelhos, a partir das ferramentas utilizadas durante o processo de criação da obra, como dinâmicas, jogos de improvisos e sequências coreográficas. Orientados pelo diretor e intérprete Samuel Kavalerski, os participantes serão instigados a explorarem suas possibilidades corporais buscando ampliar a expressividade de seus corpos por meio do movimento dançado e da construção de personagens.

Samuel Kavalerski
É bailarino, coreógrafo e artista visual. Entre 2015 e 2017 foi professor, coreógrafo e ensaiador do Corpo Jovem da Escola de Dança do Theatro Municipal de São Paulo. Em 2017, participou do espetáculo teatral Tchekhov é um Cogumelo, de André Guerreiro Lopes com a Cia Lusco Fusco. Em 2016, dirigiu Céu de Espelhos, projeto vencedor do 20° Cultura Inglesa Festival, dividindo a criação e a cena com Irupé Sarmiento. O espetáculo lhes rendeu uma indicação ao prêmio de melhor interpretação da APCA. De 2013 a 2015, foi assistente de direção e ensaios do Projeto Mov_olA, do coreógrafo Alex Soares. Tem atuado como professor convidado de dança clássica em companhias como a Cia Fragmento, a Cia Divinadança, o Balé da Cidade de São Paulo e o Balé Guaíra. Foi solista da São Paulo Cia. de Dança, sob direção de Iracity Cardoso e Inês Bogéa, desde a sua fundação, em 2008, até 2013. Lá dançou obras como Serenade (George Balanchine – 2009), Gnawa (Nacho Duato – 2009), Sechs Tänze (Jirí Kylián – 2010), e Bachiana N°.1 (Rodrigo Pederneiras - 2012). De 2010 a 2013, fez parte do Conselho de Administração da Associação Pró-Dança, que administra a Companhia. Entre 2005 e 2008, integrou o elenco da Quasar Cia de Dança, de Goiânia, atuando em obras como Só tinha de ser com você, Coreografia para ouvir e Divíduo, do coreógrafo residente Henrique Rodovalho. Entre 1999 e 2005, no Balé Teatro Guaíra de Curitiba, sob direção de Suzana Braga, dançou obras como O Grande Circo Místico (Luiz Arrieta - 2002), O Segundo Sopro (Roseli Rodrigues), Treze Gestos de um Corpo (Olga Roriz), Exultate Jubilate (Vasco Wellenkamp) e Prelúdios (Rodrigo Pederneiras).

A partir de 2010 começa a desenvolver trabalhos coreográficos no Programa de Desenvolviemento de Habilidades da São Paulo Cia de Dança. Coreografou o clipe Pas de Deux, do cantor Thiago Pethit, produzindo pela Paranoid e dirigido por Vera Egito e Renata Chebel, e o I Ateliê Internacional da São Paulo Cia de Dança, em 2014.

Graduado em Artes Visuais com Ênfase em Computação, pela Univeridade Tuiuti do Paraná, em 2005, tem desenvolvido trabalhos relacionando a dança com a linguagem de internet. Seu Projet Pas de Danse, participou de eventos como a exposição CorpoInstalação no SESC Pompéia (2009), do Café Tecnológico no SESC Belenzinho (2012), além da CLIF – Curitiba Luz Imagem Fotografia (2013). Suas animações interativas fizeram parte do programa "Artes Visuais", da SESCTV, produzido pela Documenta Vídeo Brasil.

Simone Camargo
É bailarina, coreógrafa, professora e curadora. Atua como bailarina-intérprete em companhias públicas e privadas. É pós-graduada em Gestão Cultural pelo Senac-SP e em Dança pela Universidade Paris 8-França, em 2014, com o trabalho The Dance à Synchronous Objects: Du graphique dans l’objet chorégraphique (The Dance em Synchronous Objects: Sobre o gráfico no objeto coreográfico. Análise de estruturas coreográficas do trabalho de William Forsythe em relação a elementos gráficos do projeto digital de dança e novas tecnologias intitulado Synchronous Objects).

Em 2017, foi bailarna-intérprete da Plataforma Shop Sui, colaborando nos processos de pesquisa de linguagem Brain Diving, sob a direção de Fernando Martins, e de criação do espetáculo A Máquina da Amnésia, contemplado no 20º Edital do Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo.

Em 2011 e entre 2013 e 2016, foi bailarina do Balé da Cidade de São Paulo interpretando obras de coreógrafos como Alex Soares, André Mesquita, Itzik Galili, Marisa Bucoff, Mauro Bigonzetti, Oscar Arraiz, Stefano Poda e Victor Navarro. Com a mesma companhia, participou de turnês pela Alemanha, Luxemburgo, Holanda, Espanha e Uruguai.

Em 2012, participou do musical New York, New York, dirigido por José Possi Neto. No mesmo ano, foi bailarina intérprete-criadora do espetáculo Kikar, sob a direção de Nir de Volff. Produção do Sesc Pinheiros, em parceria com o Centro da Cultura Judaica e o Instituto Goethe. Em 2010, participa como bailarina intérprete-criadora de Emoções Baratas, teatro musical dirigido por José Possi Neto.

Entre 2007 e 2010, foi bailarina-intérprete da Quasar Cia de Dança, sob direção do coreógrafo Henrique Rodovalho. Foi bailarina do Balé Teatro Guaíra entre 2000 e 2007 e dançou obras de Ana Vitória, Carla Heinecke, Dani Lima, David Zambrano, Felix Landerer, Henrique Rodovalho, Luis Arrieta, Luiz Fernando Bongiovanni, Milko Sparemblek, Roseli Rodrigues e Vasco Wellenkamp.

Como coreógrafa criou Certas Distâncias, em 2014, para o Dançographismus I: Workshop Coreográfico do Balé da Cidade de São Paulo. Em 2012, para Cia de Dança de Ourinhos, criou Esta Pele, para a abertura do Festival Dança Ourinhos 2012, com assistência coreográfica de Henrique Lima. Para a mesma companhia, Opostos, em 2010. Criou dois solos Joaquina, em 2010, e Madalena, 2011, para o grupo pré-profissional da Escola Municipal de Bailado de Ourinhos. Para a Quasar Jovem, criou o solo Volátil, para o espetáculo Segundos Movimentos, com a Quasar Jovem Cia de Dança. Em 2007, coreografou o dueto Soma para o Atelier Coreográfico do Balé Teatro Guaíra.

Em 2013 e 2014, ministrou aulas de dança contemporânea e improvisação para os bailarinos do Balé da Cidade de São Paulo e para alunos da Escola de Dança. Em 2010 e 2012, foi professora de balé clássico, dança contemporânea e improvisação para a Cia de Dança de Ourinhos e para turmas pré-profissionais da Escola Municipal de Bailado de Ourinhos.

Em 2016, foi curadora da Caixa Cultural para Análise, registro de nota e emissão de parecer técnico de projetos da área de dança, propostos aos editais de Ocupação dos Espaços Caixa e de Apoio a Festivais de Teatro e Dança, por ocasião do Programa de Patrocínios Caixa edição 2017-2018.

Ficha técnica:
Direção: Samuel Kavalerski
Criação: Irupé Sarmiento e Samuel Kavalerski
Interpretação: Simone Camargo e Samuel Kavalerski
Direção de Produção: Flavia Borsani
Figurinos: Antonio Bizarro
Assistente: Anderson de Oliveira
Desenho de Luz: Silviane Ticher
Produção Musical: Fernando Martins
Participação Especial na Trilha: Thiago Pethit
Sonoplasta: Samuel Gambini
Assessoria de Imprensa: Flavia Fontes Oliveira | Dialeto Arte e Comunicação