Ourinhense é o novo gestor da Santa Casa de Santa Cruz do Rio Pardo

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Após rompimento com empresa de Saúde, André Mello é apresentado como o administrador do hospital

Sérgio Fleury Moraes
Jornal Debate

O advogado André Luís Camargo Mello, de Ourinhos, foi apresentado na manhã de quinta-feira, 11, como o novo administrador da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo. O cargo correto é “assessor da diretoria”, mas André terá a missão de administrar toda a burocracia do único hospital público da cidade. Ele foi escolhido após a diretoria romper com a empresa “Ingex Saúde”, uma organização social que permaneceu no controle da instituição até o final do ano.

A apresentação oficial aconteceu na sala de reuniões do setor administrativo do hospital, com a presença de profissionais da imprensa, do presidente da entidade, Hélio Pichinin, do próprio André Mello e do secretário municipal de Saúde, Diego Singolani. Outro diretor da instituição, Jorge Raimundo, acompanhou a reunião sem se manifestar.

A entrevista teve um fato curioso, já que ela foi interrompida por alguns minutos pelo diretor clínico da Santa Casa, Jonas Jovanolli Filho, que exigiu a presença de Pichinin e Diego na sala ao lado. Ele estava com roupa característica para cirurgias.

O presidente da Santa Casa, Hélio Pichinin, confirmou que o hospital considerou que a “Ingex Saúde” não teria executado o trabalho contratado. “Por conta disso, o contrato não foi renovado”, disse. Segundo ele, um relatório apresentado à diretoria do hospital, no final do ano, deixou de relatar “alguns números” importantes.

A Ingex permaneceu seis meses administrando a Santa Casa de Misericórdia, a um custo de R$ 60 mil. O secretário de Saúde, Diego Singolani, confirmou que o relatório da Ingex era inconsistente, mas negou qualquer tipo de fraude.

Tanto Pichinin como Singolani também reafirmaram que o vereador Lourival Heitor (DEM) — que costuma conceder entrevistas em nome do hospital — não está autorizado a falar oficialmente em nome da instituição. “Qualquer um pode falar da Santa Casa, mas oficialmente é só a diretoria ou, agora, o André”, afirmou o presidente.

Lourival não pertence à diretoria do hospital, sendo responsável pelo setor de Raio-X, através de uma empresa privada que firmou parceria com a instituição. O problema é que o vereador disse, em entrevista à rádio Difusora, que a Ingex prestou um bom trabalho no hospital. A declaração contradiz a posição da diretoria.

Pichinin revelou que André foi escolhido depois da análise de vários perfis. “Nós fomos conversar até com padres franciscanos”, disse. O nome de Mello ganhou força, segundo Pichinin, após o apoio do secretário de Saúde de Santa Cruz. Afinal, o advogado já foi secretário da mesma pasta em Ourinhos, no último ano do governo de Belkis Fernandes (PMDB).

Desafios

André Mello disse que ainda está tomando conhecimento da situação da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo e que terá um trabalho facilitado “graças ao bom entrosamento que existe entre o prefeito, a direção do hospital e o secretário de Saúde”.

O advogado comentou sua situação de ex-assessor do deputado Capitão Augusto (PR) e ex-filiado ao PSDB de Ourinhos, garantindo que a política não deve influenciar na direção do hospital, a não ser para atrair verbas de emendas parlamentares de deputados. “Minha indicação é técnica. Não há qualquer conotação política neste contrato. Fui procurado com um perfil de gestor, não apenas na área pública como em diversas empresas”, afirmou.

Segundo Mello, o objetivo é buscar recursos para que o hospital possa oferecer mais serviços com melhor qualidade à população. Ele descartou demissões neste momento, mas ressaltou que a troca de funcionários é normal em qualquer estabelecimento ou instituição. 

Hospital administra déficit de 17 milhões

O presidente da irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo, Hélio Pichinin, disse, durante a entrevista coletiva de quinta-feira, 11, que o hospital possui um prejuízo mensal em torno de R$ 250 mil a R$ 300 mil. O déficit total é assustador, em torno de R$ 17 milhões.

Segundo ele, a instituição está fazendo “um esforço” para estancar — ou ao menos reduzir — o prejuízo. O problema é o déficit de R$ 17 milhões, fruto de dívidas com fornecedores e empréstimos bancários. “Pelo menos R$ 6 milhões são referentes a juros, que já constam no balanço do hospital”, disse Pichinin. Ele revelou que a diretoria quer “trocar” o empréstimo por um outro a juros mais realistas.

O presidente também contou que alguns fornecedores, para os quais o hospital deve, fizeram ajustes nos preços incompatíveis com o mercado. Segundo ele, a questão deverá ser discutida no Poder Judiciário. “Com certeza estes preços vão cair pela metade. Hoje, pagamos R$ 7 em produtos que são vendidos a R$ 3. Isto não pode continuar”, afirmou.

Hélio também lembrou que os médicos que atendem na Santa Casa concordaram em reduzir seus honorários em 20%. “Mesmo assim, o prejuízo mensal ainda é grande”, ressaltou.

O dirigente do hospital admitiu que a contratação do advogado André Mello significa o retorno ao antigo sistema de gestão, abandonando por completo a ideia de administrar o hospital através de uma organização social privada.