Nota do Sindicato dos Servidores: Carta aberta ao povo de Ourinhos



Não ao ódio!

Senhores e senhoras munícipes. Cidadãos ourinhenses, e mesmo os que não sendo daqui fizeram desta cidade sua morada. Esta carta é para vos dizer: não ao ódio! Todos sabem que os mais de 3.500 servidores municipais desta cidade estão em campanha salarial. Uma campanha que busca, sobretudo, garantir um mínimo de dignidade às pessoas que, no fim das contas, acabam por se responsabilizar pela manutenção dos serviços públicos de Ourinhos.

São estes servidores que ano a ano tem visto seus rendimentos serem diminuídos. Há aumento no salário mínimo, sempre garantido pelo índice da inflação. Mas não há o mesmo aumento no salário dos servidores. Ousamos dizer que a continuar esse quadro, logo todos, mas todos os servidores estarão a receber apenas um salário mínimo.

Imaginem, senhores e senhoras, imaginem o sentimento de um professor, de uma professora, de um auxiliar de saúde, imaginem a angústia desses profissionais assistindo, ano após ano, uma desvalorização até então impensável nos seus rendimentos. De que adianta garantir atendimento nas creches, se quem lá trabalha recebe uma miséria, incapaz de garantir seu próprio sustento? De que adianta garantir vagas nas escolas se o professor não é nem de longe valorizado?

Este é o quadro a que assistimos hoje. E foi justamente para mudar esse quadro que mais de 80% dos eleitores resolveram confiar seus votos no atual chefe do executivo. Certamente este mesmo percentual foi observado junto aos servidores. Mas agora, agora que estes servidores sentam-se à mesa para apresentar ao Senhor Prefeito uma proposta mínima de valorização, a resposta que recebem é que não há dinheiro sequer para repor a inflação dos últimos doze meses.

Não há como ser dado um mísero percentual de 4,69%! Diante disso não existe alternativa a não ser chamar a atenção da população, desta mesma população que tal como os servidores confia numa nova forma de se fazer política.  E o instrumento para isso, previsto na Constituição, é a greve. O executivo está dizendo que uma greve de servidores, hoje, visa apenas trazer prejuízos à população. Chama a greve de irresponsável. Com isso, talvez sem se dar conta do grande equívoco que está cometendo, coloca a população contra os servidores.

O que vimos, tão logo o prefeito chamou a greve de irresponsável, foi uma chuva de comentários e discursos de ódio nas redes sociais. Alguns chamam os servidores de vagabundos, destilando puro ódio. Outros defendem nossa dignidade. A sociedade de Ourinhos, a partir da manifestação do Senhor Prefeito, corre o risco concreto de ficar dividida. E a quem interessa esta divisão? Aos oportunistas, que desde o início das negociações tem tentado tumultuar por terem perdido as eleições? Aos grupos opositores, que sobrevivem apenas para criticar sem apresentar propostas concretas, numa luta miserável pelo poder e sem nenhuma preocupação com a dignidade dos servidores?

É hora de demonstrarmos grandeza, de afastarmos do cenário qualquer tentativa de ódio, de divisão da sociedade ourinhense. Os servidores, assim como toda a população, merecem respeito. É o momento de fazermos desta negociação um espaço onde a seriedade esteja acima de qualquer interesse. O Brasil tem sido invadido por sentimentos de ódio que levaram ao afastamento de uma presidente eleita, e agora, em seu lugar, pessoas sem nenhum respeito para com os trabalhadores estão nos colocando numa situação de vulnerabilidade nunca antes vista.

Tudo fruto do ódio, fruto da irresponsabilidade de quem deve zelar por um ambiente de respeito. Nós, servidores, nos comprometemos a exercitar nossos direitos sem causar prejuízo à população. Nós, servidores, nos comprometemos a dar tudo de nós para que nosso trabalho garanta um serviço público de qualidade. Queremos, apenas, respeito e valorização.  E é por isso que não cansaremos de dizer: Não ao ódio!
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