Vereadores poderão descumprir promessa e não apresentarem proposta de redução salarial


"A boa maioria são pessoas com segundas intenções", disse o presidente da Câmara Roberto Tasca (PR) sobre os manifestantes que estiveram protestando na Câmara Municipal

O prazo de 30 dias para apresentação de proposta para redução de salários se esgotou na última sexta-feira, 13 de novembro 

Que o brasileiro tem memória curta todo mundo sabe. Mas um mês ainda é pouco para os ourinhenses esquecerem que os vereadores prometeram dar uma resposta a população, iniciando um processo que resultaria na redução de seus salários e assim ajudar o município a enfrentar a crise.

Com a publicação da pauta da sessão desta segunda-feira (16) e a ausência na mesma da apresentação de um projeto de lei que atendesse pelo menos em parte as reivindicações populares, já há quem confirme as especulações de que os parlamentares iriam descumprir o que foi acordado no dia 13 de outubro com representantes da maçonaria. Na ocasião os maçons declararam a imprensa que os vereadores haviam pedido 30 dias para formular uma proposta. O prazo se esgotou na última sexta-feira, 13 de novembro e até o fechamento desta matéria nenhum parlamentar se manifestou oficialmente a respeito.

Enquanto a crise financeira em que se encontra o país assola todas as cidades brasileiras e os governos estadual e federal reduzem e cancelam repasses até para a execução de serviços essenciais, o único lugar onde ainda sobra dinheiro em Ourinhos é a Câmara Municipal, exemplo disso são os altíssimos salários dos vereadores e de seus assessores, além da devolução do duodécimo, onde a todo final de exercício milhões que ficaram parados o ano todo nas contas do Legislativo são devolvidos ao Executivo.

Mas os vereadores de Ourinhos não parecem preocupados com a atual situação. Nos últimos 30 dias o silêncio imperou na Casa de Leis, ou "Casa do Povo", como eles dizem. Nenhuma palavra sobre redução de salários saiu da boca dos parlamentares durante as sessões levando-nos a supor que a promessa foi apenas um engodo utilizado para acalmar as manifestações que ocorriam semanalmente na Câmara Municipal. Até que deu certo. A presença de manifestantes durante as últimas sessões diminuiu, pois acreditando na palavra dos edis, a população deu mais um voto de confiança aos seus representantes eleitos, mas ao que parece novamente irá se decepcionar.

Entre outras atitudes e declarações que já indicaram que os vereadores não teriam interesse de abaixarem consideravelmente seus salários, uma das mais contundentes foi a do presidente Roberto Tasca (PR) que se colocou da seguinte forma: "Eu acredito que está caminhando aí para uma redução. Não uma redução trágica que nem todo mundo tá dizendo. Porque você reduz aí como aconteceu em alguns municípios. Você reduz tragicamente para R$ 700, para R$ 800. Ou seja, a corrupção tá feita". Ele ainda complementou se referindo aos manifestantes que estiveram protestando na Câmara Municipal: "Pode-se dizer que tem lá, tem pessoas que representam a sociedade. Claro que tem pessoas que representam a sociedade, mas a boa maioria são pessoas realmente com segundas intenções", afirmou."

Um outro fato também indicou que a proposta que viria dos vereadores deveria ficar aquém daquela exigida pela população. Em sessão do dia 13 de outubro, o vereador Alexandre Araújo Dauage "Zoio" (PRB) antecipou-se aos colegas e se comprometeu em doar 20% de seu salário para uma instituição de caridade. No entanto, outra informação que soará ainda pior nos ouvidos da população é que os vereadores poderão ignorar todas as manifestações que ocorreram e lutarem com "unhas e dentes" para deixarem as coisas como estão, mantendo seus altos salários, seus assessores e o aumento de cadeiras para a próxima legislatura.

Mas o feitiço poderá virar contra os feiticeiros caso eles realmente decidam pagar para ver até onde o povo é capaz de ir, pois felizmente chegaram informações a nossa redação de que o movimento "Por uma Ourinhos Melhor" não irá desistir de lutar enquanto não conseguirem fazer cumprir suas principais reivindicações: redução dos salários dos vereadores para no máximo R$ 1.500 mil, extinção do cargo de assessor parlamentar e a redução de 15 para 11 cadeiras para o próximo mandato, 2017-2020.

A Câmara Municipal
Atualmente o salário de um vereador em Ourinhos é de R$ 7.577 mil, maior que em muitas cidades da região. O presidente do Legislativo daqui ganha um pouco mais, R$ 8.142 mil. Além disso, fora os outros cargos de confiança que existem na Câmara Municipal, nos quais nem é exigido um mínimo de escolaridade, bastando saber ler e escrever, cada um dos 11 parlamentares nomeou o seu assessor com um salário atualmente de R$ 5.139 mil. No próximo mandato, 2017-2020, a conta deverá ser ainda maior, caso a lei complementar votada em 2014 que aumentou de 11 para 15 cadeiras no legislativo não seja revogada.

Agência Massiva


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